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EM NEGRITTO - Minha Negritude em Destaque


Oi mundo!!

Sou Fernanda Rodrigues, mas podem me chamar de Nanda... Mulher, preta, gaúcha, jornalista, feliz... não necessariamente nessa ordem. Cheia de ideias na cabeça e lembranças no coração, resolvi dividir tudo com vocês. Por isso, eis o EM NEGRITTO, meu blog! Aqui estarão em destaque minhas posições, minhas ideias, meus amores e meus (poucos) desafetos também. Além da história, da cultura e de personalidades que honram minha raça negra que amo e aqui estará sempre evidenciada em negrito!! Fiquem à vontade... e divirtam-se tanto quanto eu!!

FerNanDísSima

 

e-mail: emnegritto@gmail.com

vídeos: www.youtube.com/fernandissimars



Escrito por Fernanda Rodrigues às 10h02
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UMA PRETA EM MOVIMENTO

Lembram daquelas aulas de Física do segundo grau? É assim que gente ‘mais velha’ chama ensino médio, né? Enfim, eu as odiava, porque eu tinha que decorar tudo para poder resolver qualquer equação. Uma das coisas que decorei e nunca mais esqueci foi a definição do que é inércia. Eu a decorei assim: “inércia é a capacidade que qualquer corpo tem de permanecer parado ou em movimento quando não sofre nenhuma força externa”. Nos últimos meses eu pude viver a inércia e vi que devemos usar ela a nosso favor na vida. Se a gente analisar bem, vai ver que quanto mais a gente fica sem fazer nada de produtivo, deitado, dormindo o da inteiro, mais é assim que queremos ficar.... parados! E quando  gente está fazendo coisa errada, parece que uma coisa puxa a outra e a gente não quer parar nunca. Porque não usar isso pro lado bom também? É como voltar a trabalhar depois das férias. Na primeira semana parece que a gente não vai agüentar, mas depois tudo caminha tão facilmente que a gente começa até a gostar, não é? Então é só dar o primeiro passo!!!! Para amar, para estudar, para trabalhar, para arrumar o guarda-roupas, para voltar a falar com aquela pessoa com quem mantemos silêncio... Se movimente, que do resto, a inércia se encarrega... E quando estiver amando, dançando, vivendo, não deixe que nenhuma força externa te faça parar! Para o contrário a inércia também pode ser bem útil. Se, quando um corpo está parado a tendênca é ele permanecer assim, dê um ‘stop’ no que não tem mais a menor necessidade de seguir adiante. Aquele amor não correspondido, por exemplo. É só apertar um botão e pronto? Claro que não! Mas pare de falar na pessoa, pare de se referir a ela nas conversas do dia a dia, pare de ‘falsamente’ odiá-la, pare de colocá-la em um lugar em que, na realidade, ela nem quer estar. Pare! No começo é difícil, assim como a volta das férias, mas depois... lá tá a inércia de novo! O corpo se acostuma. Usemos a inércia para manter em movimento o que nos faz bem, o que nos leva a um lugar onde nos encontramos, e para deixar parado o que não nos levará a lugar algum...

Vambora, povooooo!

Um beijo, Nanda



Escrito por Fernanda Rodrigues às 09h57
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CONSCIÊNCIA DE QUE COR?

Ontem foi o dia da Consciência Negra. Parece óbvio?? Não sei... vi poucas alusões ao dia na imprensa e acho que a maioria das pessoas não entende o real propósito desse dia. Um dos erros que mais me incomoda, e não apenas em relação ao dia 20 de novembro, é essa associação que se faz entre negros e pobres. Talvez isso aconteça porque as pessoas que geralmente lutam pela igualdade racial venham das periferias, e isso não acontece só no Brasil.
Porém, eu acho importante separarmos as coisas por um motivo muito simples, quando um negro sai da periferia, da zona de pobreza, alcança níveis sociais mais elevados, ele continua tendo a pele preta e a sofrer preconceito. O problema não é social, mas racial. O dia 20 de novembro, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, é apenas um dia em que a consciencia de ser negro é exaltada, mas é necessário fortalecer isso sempre. O negro precisa conhecer sua história. Saber que não chegou no Brasil nas mesmas condições dos outros colonizadores, e essa condição de desigualdade ainda é uma realidade. Não se trata de orgulho, mas de conhecimento. Não conhecemos a nossa parcela de participação na formação do que hoje é um país miscigenado. Como ter consciência dessa maneira?
Um negro tem obrigação de saber sua história. Eu posso entender que um negro não goste de samba, não pratique capoeira e não coma feijoada. Mas ele precisa saber que essas manifestações culturais são de raízes africanas. Um descendente de alemão também não precisa sair para dançar música alemã, um descendente de italiano não precisa comer massa sempre que sai para jantar e um descendente de oriental não precisa praticar judô, mas vejo que essas etnias têm uma ligação muito mais forte com suas raízes do que muitos de nós. E isso tem um motivo.
Essa consciência não foi plantada nos afrodescendentes. Principalmente, na infência. E consciência não é uma semente que nasce e cresce sozinha.
Quando os africanos chegaram aqui, as sementes plantadas foram da desunião, da vergonha, da inferioridade. E durante anos essa semente foi regada. A plantação cresceu. Destruir tudo isso agora e fazer crescer uma nova Consciência do que é ser Negro não é tarefa fácil. O que Zumbi, e tantos outros que lutaram e lutam pela igualdade racial sempre quiseram foi que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades, por um motivo muito simples: é assim que tem que ser. E só se pode chegar à conclusão de que não existe superioridade ou inferioridade quando o assunto é etnia, quem sabe de onde veio, sabe porque está na situãção que está e sabe em que direção quer caminhar.

Beijos, Nanda

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 22h59
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MÚSICOS DE IVETE SANGALO RECEBEM JOVENS DO NAÇÃO PERIFÉRICA

No último final de semana, a cantora Ivete Sangalo esteve mais uma vez em Porto Alegre. Com a vinda da cantora a capital, um encontro lindo pode acontecer: músicos da banda da cantora recebera jovens do projeto Nação Periférica, da cidade de Alvorada. O projeto, coordenado por Willian de Moraes, e muito bem cuidado pela Mari, há quatro anos e meio utiliza a música para combater os problemas da periferia. No encontro, que aconteceu no hotel Blue Tree, na tarde de sábado, Cara de Cobra e Ferreirinha, percussionistas de Ivete, se apaixonaram pelo projeto, selaram parceria e resolveram até gravar uma múica da gurizada!

Quem também esteve presente e, a partir de agora faz questao de também fazer parte dos projetos do Nação foram Tinga, jogador do Internacional e Serginho Moah, vocalista do Papas da Língua.

 

É isso aí! Só me resta desejar ainda mais sucesso a Carina, Haudri, Igor, Jordi, Leonardo, Wanderlei, Mary e aos coordenadores do projeto! E vamos aguardar essa música, hein gurizada!!!

 

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 13h57
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UM BANHO DE PRECONCEITO

No último mês eu participei de um curso promovido pela ONU Mulheres e o Sindicato dos Jornalistas aqui do Rio Grande do Sul. O curso era sobre Etnia, Raça e Gênero e o intuito era discutir como a mídia tem tratado esses assuntos. Para mim, o curso foi uma delícia! Eu adoro o tema e friso sempre o quanto a mídia é importante seja na luta pela igualdade racial, seja reforçando o racismo. Em um dos dias do curso discutimos sobre as telenovelas. Eu até já comentei aqui sobre o processo de “branqueamento” que vem acontecendo na dramaturgia. Aliás, não só nela, mas na televisão temos visto que a tendência é termos atores que possam fazer papéis de mestiços. Em uma conversa com um diretor da Globo, ele inclusive me disse que a tendência é essa, formar família constituídas por atores brancos e negros, e a predileção para encenar os filhos dessas famílias é por atores afrodescendentes, porém, com pele mais clara, traços finos, aquela beleza negra que estamos acostumados a ver na publicidade, por exemplo.  Na ocasião dessa conversa com esse diretor, eu até contestei. Eu disse: ah, mas temos a Zezé Motta, que é maravilhosa, e na nova geração temos a Cris Vianna, também. Na época ela era delegada em uma novela, que se chamava Tempos Modernos. A resposta dele foi: "ela é belíssima, e, por isso, acaba caindo no estereótipo da mulata brasileira". O que ele queria dizer é que, nesses casos, a sensualidade acaba sendo o ponto forte. Nessa outra novela, a sensualidade de Cris ficou de fora, mas agora, como Dagmar em Fina Estampa ela veio com tudo. Alguém aqui duvida que Cris seja lindíssima? Claro que não. Mas nessa novela duvido que alguém consiga notar o quanto ela é talentosa. Ela representa uma mãe solteira de dois filhos (outro ponto bastante marcante nas famílias negras das novelas brasileiras: a desestrutura), trabalha duro fazendo suas empadas para sustentar os dois, mas não é nada disso que está em evidência. Suas roupas são curtíssimas, ela está sempre “desfilando” quando sai para trabalhar e agora, para completar, deu para tomar banho de mangueira no quintal ao som de uma música que fala da “beleza morena”.  São cenas lindas, mas, na minha opinião, desnecessárias. Precisamos ver o que está por trás dessas coisas. No meu curso, relembramos a novela Da Cor do Pecado, a primeira com Taís Araújo como protagonista na Rede Globo. Eu nunca havia percebido uma série de pontos tocados, entre eles, o fato de o enredo da novela não ter nada a ver com o nome. Da cor do pecado era única e exclusivamente uma alusão a cor da atriz principal. Depois disso, revimos a capa do CD com a trilha da novela. Nela, Tais, seminua, com os cabelos bem soltos e com cara de sexy, estava estampada com nome da novela próximo seu corpo. Lindo! Mas pra quê? Perguntado sobre os motivos pelos quais Dagmar toma banho de mangueira na laje, o autor Aguinaldo Silva respondeu: “Ela toma banho em cima da laje porque os telespectadores adoram. E porque eu quero.” Exatamente! É isso que ele, como autor, quer... ibope nas alturas! E eu entendo que os homens queiram ver uma mulher bonita tomando banho de mangueira, mas não vamos fingir que isso é uma atitude impensada e inofensiva, porque não é. De uma forma muito forte, as telenovelas continuam, sim, erotizando a mulher negra e mostrando famílias negras de forma desestruturada. Por que Cris não está no papel da hostess do restaurante Le Velmont ou como professora da faculdade do personagem de Caio Castro? Acreditem, não é de graça! Esse texto parece um tanto quanto radical, não é? Mas não há uma maneira leve de falar sobre isso. Não há nada de inofensivo nos banhos de Dagmar, como não havia no fato de Mussum ser o bêbado do quarteto trapalhão. E para não dizer que falo apenas da questão racial, ninguém nunca se perguntou por que o papel atual de André Gonçalves como o homossexual Áureo faz um sucesso na novela Morde e Assopra, enquanto ele quase foi linchado como Sandrinho em A Próxima Vítima há alguns anos? Porque agora ele está completamente estereotipado. Uma coisa é ver um gay filho de uma família estruturada, cursando uma faculdade e trabalhando honestamente retratado numa novela. Outra é vê-lo 'desmunhecando" e fazendo shows como drag queen. Da mesma forma que ver uma negra bonita tomando banhos sensuais agrada tanto em uma novela que substituiu outra que causou uma polêmica incrível porque trouxe um negro representando um design de móveis bem sucedido, rico, como galã da trama. Vamos ficar atentos para não cair em armadilhas que nos fazem cúmplices de um preconceito que pode até vir envolto em glamour e beleza, mas no fundo, é tão feio como qualquer outra forma de preconceito.

Beijos!

Nanda

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 13h09
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LEALDADE, FIDELIDADE E MUITO AMOR

Desde o último dia dos namorados eu tenho pensado bastante sobre como as pessoas estão lidando com os relacionamentos. Graças às redes sociais foi possível saber o que quase todo mundo estava pensando, sentindo ou fazendo nesse dia e, para minha surpresa, pude contabilizar no máximo uns dez casais felizes que estavam comemorando. Fora isso, a maioria dos meus amigos e pessoas que conheço vibravam com o fato de estarem solteiras. Muitos até brincavam com o alívio de não terem que gastar com presentes, que os outros dias do ano são dos solteiros e que pior que não ter ninguém no dia dos namorados é estar casado ou namorando no carnaval.

Depois do dia dos namorados veio o dia dos solteiros, o que eu nem sabia que existia. Mais uma vez as redes sociais estavam em festa! Eram lemas, associações organizadas, piadas (algumas bem engraçadas) e verdadeiras odes a solteirice. O problema é que em muitas das mensagens, lá no fundinho, tinha uma melancolia. Claro que não estou generalizando. Como diz a famosa frase, quem está solteiro não está necessariamente sozinho. Aliás, tem muita gente em relacionamentos duradouros, que parecem muito sólidos e são pessoas extremamente solitárias. Outras pessoas, por exemplo, vêm de relacionamentos longos e estão dando um tempo pra si, mas não acredito que essa seja a maioria no grupo de solteiros felizes. Cada um tem a sua realidade.

Continuei com isso na cabeça até assistir ao programa Café TVCOM dessa semana. Em determinado ponto da conversa os participantes do programa começaram a discutir a diferença entre lealdade e fidelidade em relacionamentos amorosos. Foi quando me mordi de vez! Me lembrei quando conversei sobre isso com um ex que tentava me convencer que ele ser leal a mim era mais negócio do que me ser fiel. Eu, assim como Tania Carvalho, única mulher do programa, discordei.

Claro que entendo a diferença, mas para mim, quando o assunto é amor, lealdade e fidelidade andam de mãos dadas. O problema é que hoje temos um leque de possibilidades e de maneiras de como se relacionar com os outros. É romance, é lance, rolo, amizade-colorida, transa, e por aí vai. É tanta variedade que é feio dizer que se quer viver um relacionamento sério com alguém. O bonito é ser solteiro e feliz. No melhor estilo “sou de todo mundo e todo mundo é meu também”. Na boa, na minha opinião isso é bem bonitinho na música. Na vida real a rima não é tão harmoniosa.

Não estou falando de amarras, mas de laços. Amarras prendem, podam, sufocam. Laços enfeitam, embelezam. Ainda acredito que, a maioria das pessoas, quando gostam, querem estar juntas, querem que esse sentimento cresça com lealdade. E se tem alguém aí que dispensa a fidelidade me apresenta, porque eu não conheço!

Em dias frios, chuvosos e, de preferência, durante a semana, é fácil querer ter alguém para esquentar os pés e passar o dia na cama comendo besteira. Porém, que credibilidade podemos dar a quem escolhe a melhor hora ou estação do ano para se relacionar?

 

Muitos beijos!

 

 

Nanda

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 13h21
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TEM PRETO DEMAIS NA TELEVISÃO

Quer saber? Eu acho que esse negócio de que quanto mais negros na televisão melhor não é bem assim. Digo isso sobre a televisão porque acaba sendo um espelho de outras áreas, mas visibilidade nem sempre é sinônimo de ganho de espaço.
Na última semana, enquanto me arrumava para sair, liguei a tv. Estava no horário do programa da Ana Maria Braga, naquele quadro chamado Super Chef. Não acompanho o programa, mas é um (mais um) reality show com aspirantes a chef de cozinha e o esquema é mais ou menos o mesmo, alguém deve ser indicado para a eliminação. Nos poucos minutos vi que outra característica se repete: no grupo de dez ou doze jovens, há um negro, que também, por coincidência, é bastante tímido.
Nesse dia em que eu assistia, eles perguntavam a uma participante que estava na berlinda quem ela considerava fraco para disputar com ela a preferência do público. Todos foram unânimes: o negão! Inclusive, esse é o apelido dele entre os concorrentes.
O problema, na minhha opinião, já começa por aí. Eu adoro ser chama de 'preta', já escrevi sobre isso aqui no blog, mas acho que nesse contexto não é legal. Há alguns anos, em outro reality, o único negro, que também era chamado de 'negão', foi questionado em relação a isso pelo apresentador do programa. Na época, ele disse que não gostava de ser chamado dessa maneira e não soube responder porque permitia tal apelido. Eu tive uma posição contrária. Me imaginei na mesma cena e, se eu fosse questionada, responderia: "Capaz! Amo ser camada de preta, é o que sou, com muito orgulho! Jamais admitiria que alguém usasse minha cor para me desmerecer, mas com carinho e repeito eu adoro!" Isso é o que eu responderia naquela época, e é por isso que nunca seria selecionada para estar em um programa desses. Hoje então, acho que nem passaria da primeira fase. Hoje não admitiria esse apelido.
Minha opinião sobre isso vem mudando desde que, em uma conversa com um repórter negro aqui da cidade, ele me disse uma frase que, a princípio, me chocou. Ele falou bem calmo e em voz baixa: "preto não tem que entrar em disputa". Segundo ele, sempre que um negro de destaque e que não segue os padrões esperados entra em qualquer disputa em que, em determinado ponto, vá precisar da aprovação de um branco, esse branco vai, mesmo que inconscientemente, se vingar. Forte isso, não é? Na hora achei um exagero, mas confesso que hoje concordo plenamente.
Eu sempre achei que negros devessem ocupar espaço. Vivemos um momento de afirmação, e para negros brasileiros isso significa visibilidade, antes de qualquer outra coisa. Isso, por si só, já demonstra uma situação cruel, já que acabamos nos tornando rivais e concorrentes uns dos outros. Por acreditar nisso, sempre fui a favor de que a protagonista da novela fosse negra mesmo que a atriz não seja lá essas coisas, que o galã seja negro mesmo que ele não seja tão bonito e que devemos estar representados em reality shows e concursos de dança de famosos mesmo que os escolhidos não sejam os melhores. Agora já acho que não é bem assim não. Se é para ser coadjuvante, se é para fazer um papel decorativo, então que a gente nem esteja lá. Porque toda essa movimentação só é feita com um único objetivo: fortalecer ainda mais a imagem de incompetência.
Creio que devemos mudar nosso foco. Devemos nos transformar em negros cada vez mais bem preparados, conhecedores de nossa história. Depois disso, sim, podemos pensar em dar a cara a tapa porque ainda existe uma boa parcela da sociedade que não está nem um pouco interessada e nos ver vencedores e, sempre que tiverem a oportunidade, não vão fazer a menor cerimônia em levantar a mão bem alto  para nos bater.


Está aí Nelson Mandela, que comemora hoje 93 anos, que não me deixa mentir!

Um beijo!

Nanda



Escrito por Fernanda Rodrigues às 15h21
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EXÉRCITO ABRE ESPAÇO PARA RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA E INDÍGENAS

Na última semana aconteceu um dia muito especial para mais um passo na batalha pela defesa da liberdade religiosa e contra a intolerância. Pela primeira vez desde 1920, representantes das religiões de matrizes africanas participaram da comemoração da Páscoa Militar, organizada pela representação do Exército em Salvador (a VI Região Militar).

O evento foi no Quartel da Mouraria e contou com a participação de sacerdotes e sacerdotisas ilustres das religiões afro-brasileiras em Salvador, como Tata Anselmo do Mokambo; Babá PC do Oxumaré; Ebomi Nice de Oyá da Casa Branca;  professor Jaime Sodré; Tata Eurico; Tata Esmeraldo Emetério, dentre muitos outros.  Dentre os representantes de outras religiões, destaque para o querídissimo pastor Djalma Torres, que tem um belíssimo trabalho na área de promoção do diálogo interreligioso, e o pastor Fernando Carneiro que segue este caminho também.

A vitória é do Neafro (Núcleo de Estudos das Religiões Afro Indígenas do Exército) que surgiu no ano passado já sob a inspiração do Nafro-PM (Núcleo de Estudos das Religiões de Matrizes Africanas da Polícia Militar da Bahia) .

Há seis anos, liderados pelo tata de inquice e bravo sargento Eurico Alcântara, um grupo de PMs procurou o comando da PM para questionar o porquê das religiões de matriz africana não ter representação num congresso religioso da corporação. Receberam a resposta que eles não estavam organizados. Eles então pediram a autorização e o grupo que era formado por apenas seis aumentou em um mês para 200 PMs que declararam seu pertencimento afrorreligioso.

A experiência e sucesso do Nafro PM serviu de base para o surgimento de uma associação parecida na PM de São Paulo e agora no Exército. Já há, inclusive, a mobilização para ações semelhantes também na Marinha e Aeronaútica.

fonte: www.atarde.com.br/mundoafro



Escrito por Fernanda Rodrigues às 17h06
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FALAR É MUITO FÁCIL...

Ontem eu estava assistindo a toda a discussão sobre o projeto de lei que criminaliza a homofobia. Essa semana protestos mobilizaram parlamentares e levaram muitas pessoas até o gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. O projeto altera a Lei do Racismo e torna crime a discriminação ou preconceito por gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Pelo projeto, vai ser crime, entre outras coisas, praticar ou incitar a discriminação por qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica, tudo isso sujeito a multa ou cadeia.

A briga está interessante. Até porque se a lei for aprovada, religiosos, por exemplo, não poderão mais se manifestar contra a homossexualidade e, segundo alguns deles, o projeto criminaliza a crítica, o que contraria a liberdade de expressão.

Isso tudo me fez relembrar a discussão que se levantou em 1997, quando a Lei de Racismo (Lei 7.716 – 5/01/89) foi modificada (Lei 9.459 – 15/05/97) e todo mundo parecia ter uma opinião a respeito. O argumento que mais me chamava atenção era o que dizia que a lei só reforçava o racismo. De repente as pessoas tinham medo de chamar os afrodescendentes de “negros” (e suas variações) e para muitos isso era mascarar o racismo.

Eu, no auge da minha adolescência, achava tudo aquilo ridículo! Lógico que não se tratava de transformar “negro” em uma palavra proibida. Era uma questão de dar a ela o devido respeito e importância. E as pessoas, negras ou não, que tinham consciência disso, continuaram usando-a como sempre fizeram. E se o medo que se instalou com a alteração da lei serviu para que muitos escolhessem nem usá-la, ótimo! Pois esses eram os que a utilizavam carregada de preconceito e, caso fizessem uma declaração racista, agora, teriam que fazê-lo muito bem escondidos.

E por que eu entendia exatamente a dimensão de toda aquela discussão? Porque eu sabia o que era ser negra. Celso Athaíde disse, certa vez: “existem coisas que não se discutem, um homem jamais pode discutir com uma mulher sobre o sentimento de ser mãe. Eu sei o que é ser negro no Brasil”. Super concordo! Naquela época, me irritava ver algumas pessoas se manifestarem contra a lei, por mais que eu ache que ninguém seja obrigado a concordar com nada nessa vida, mas, para mim, esse era o tipo de coisa que não se concorda ou discorda. Isso não se discute, se respeita. Porque a menos que você seja um negro, saiba como que é crescer como uma criança negra e se tornar em um adolescente negro com tudo que essa condição implica e depois ir à luta como um negro adulto, você não tem argumentos para discutir.

Ontem, ouvindo a tudo que diziam as pessoas que eram contra ou a favor da criminalização da homofobia, apesar de não estar diretamente ligada a essa discussão, eu não tive como me sentir confortável.  Eu, e todos os cidadãos, tenho o direito de escolher um dos lados, mas isso será absolutamente hipotético. Eu não sei o que é ser uma criança e me notar diferente dos meus amiguinhos heterossexuais, virar adolescente e ter a certeza de que não vou seguir a orientação sexual esperada pela maioria da sociedade e virar um adulto com uma batalha e tanto pela frente. Só quem é homossexual sabe. Então que direito tenho eu de me posicionar contra a luta deles?

Uma certeza que tenho é que dogmas religiosos (com todo o respeito a todos eles) e “achismos” não são argumentos para se posicionar contra pessoas que lutam por uma única causa, a igualdade. Até porque se soubéssemos respeitar os outros, esse tipo de lei nem precisaria existir...

 

 

 

 

Um beijo!

 

 

 

 

Nanda



Escrito por Fernanda Rodrigues às 14h37
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TEM BLOG NOVO NA ÁREA: FUTEBOL & CIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gente, o EM NEGRITTO acaba de ganhar um priminho! hehehe...

Calma, eu explico! Falo do blog do pessoal do grupo Futebol&Cia, um grupo novo na cidade, com uma proposta bem legal. Simples, mas diferente... como o próprio grupo gosta de se classificar.

O blog deles está começando, mas vocês já podem saber um pouco da história da banda, ver algumas fotos e saber aonde ir em Porto Alegre para poder curtir muito ao som desses meninos.

Eu sou suspeita, né? Afinal, eles tocam muito pagode da antiga, daqueles que a balzaquiana aqui curtia há alguns aninhos atrás. É uma ótima oportunidade de matar a saudade...

 

Não deixem de conhecer. O endereço do blog é http://futebolecia.blogspot.com

 

Muito bem-vindos, meninos! Muito mais sucesso para todos nós!

 

Beijos

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 12h40
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DIA MUNDIAL DA ÁFRICA COMEMORADO NO SHERATON

Por Neiva Mello Assessoria em Comunicação

Em homenagem ao Dia Mundial da África, comemorado no dia 25 de maio, o chef senegalês Mamadou Sène e o chef Mauro Sousa, do Sheraton, criam menu ousado com pratos de diferentes países do continente Africano para o novo Festival Gastronômico do Bistrô Porto Alegre, na próxima semana, de quinta a sábado, em almoço e jantar

O Sheraton Porto Alegre homenageia o Dia Mundial da África, comemorado no próximo dia 25, convidando dois alquimistas da alta culinária internacional para desvendar os segredos de uma cozinha exótica e pouco conhecida dos gaúchos. Os chefs Mamadou Sène, senegalês radicado no Brasil há 32 anos, e Mauro Sousa, chef executivo do Sheraton, irão dividir as caçarolas do Bistrô Porto Alegre, restaurante do lobby do hotel, durante o Festival Gastronômico Africano, de quinta a sábado (26, 27 e 28 de maio). .

A proposta é apresentar os sabores do grande continente em almoços e jantares completos no estilo buffet, com os principais pratos típicos de países como Marrocos, Camarões, Senegal, Tunísia e África do Sul. O cardápio inclui drink de boas-vindas, couvert, estação de saladas, entradas, variedades de pratos principais e muitas sobremesas. Para completar o clima, dançarinos de Guiné-Bissau farão uma performance apresentando danças folclóricas africanas.

Entre as opções de entrada, não faltará a Cathupa, salada de camarão com manga e iogurte, do Senegal, o Brik, folha de brik recheada com camarão, purée de batata ou carne moída, da Tunísia e a camaronesa N´garba (balinha de mandioca com banana), além de outras delícias pouco convencionais.

Nos pratos quentes, destaque para o tajine de cordeiro acompanhado de cuscuz marroquino, preparado em uma panela típica da tradição culinária do Marrocos, o maffé ganaar, frango ao molho de pasta de amendoim e camarão seco, tradicional no Senegal, o sosatie, espetinho de cordeiro com damasco, marinado no iogurte com especiaria ao molho de curry vermelha e o boboti, torta de carne com frutas secas, famoso por ser o prato preferido do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. Nas guarnições, será oferecido o geel rys rosenties (arroz amarelo com uvas passas e ervilha), o foufou (pirão de farinha de arroz), a torta de batata com atum e o cuscuz marroquino.

Para sobremesa, doces tradicionais de cada país, como o senegalês ditakh (frutas maceradas em calda de especiarias), o samsa (charrutos de brik com pasta de amendoa e água de flor de laranjeira), do Marrocos, e o sul-africano melkert (torta de leite de origem holandesa), além de outras delícias, que primam pelos ingredientes sofisticados, como cremes, frutas, grãos e aromas.

Chef Mamadou Sène
O Chef internacional Mamadou Abdoul Sène, nascido em Dakar, no Senegal, é um dos expoentes da culinária africana no Brasil. Radicado no país tropical há 32 anos, é formado na École Hoteliaire de Dakar e freqüentou cursos de cozinha nas escolas de hotelaria de Chambery e de Nice na França. Trabalhou nos hoteis Meridien de Dakar, Ajaccio, Tunis, Bahrein, Martinique, Guadaloupe, Tahiti, Club Mediterranée, de Dakar, e Cap Skiring.

Participou do júri da revista VEJA para a escolha dos melhores restaurantes de Porto Alegre. Ministrou aulas de culinária mediterrânea no curso de extensão oferecido FAENFI/PUCRS e proferiu palestra no Curso de Extensão “O Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira – Construindo prática na Lei n° 10.639, abordando o tema Elementos da Culinária Africana”, promovido pelo departamento de História das Faculdades Porto-Alegrenses – FAPA. Desde 1997, é o principal professor do curso de Gastronomia do Senac –RS.


O que: Festival Gastronômico Africano
Onde: Bistrô Porto Alegre, no Sheraton (Rua Olavo Barreto Viana 18 - Moinhos de Vento · Porto Alegre)
Quando: De quinta-feira a sábado (dias 26,27,28), das 12h30 às 15h30, e das 19h às 23h
Quanto: Almoço (Buffet): R$ 44,00 + 10%
Jantar (Buffet): 69,00+ 10%
Cartões: Todos, exceto Banricompras e Hipercard
Reservas: (51) 2121.6060 ou guestservicepoa@sheraton.com
Estacionamento com serviço de manobrista (R$ 15,00 as duas primeiras horas e R$ 3 a hora adicional)



Escrito por Fernanda Rodrigues às 18h51
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NADA QUE UMA BOA EDIÇÃO NÃO RESOLVA

Um dia desses, eu estava assistindo a um telejornal. Na verdade eu estava analisando. Eu tenho um amigo jornalista que diz que depois da faculdade de Jornalismo, a gente nunca mais assiste a nada imparcialmente. Não sei se concordo, mas nesse dia eu de fato me ative à edição desse telejornal.

Eu reparava o quanto a edição deixou extremamente interessante uma matéria que tratava de algo bem desagradável. E já que eu “recebi” a jornalista, entrei na viagem de vez!

Bom, no jornalismo, não precisa ser da área para saber que a edição fala por si. É na escolha das imagens, das palavras, do que vamos dizer, do que vamos deixar de dizer que passamos nossa mensagem. Comecei a pensar que se o que faz uma matéria interessante é a edição (não só ela, claro!), na vida um bom trabalho de edição também ajuda no resultado.

Existe uma frase famosa que diz: “não me arrependo do que faço, só do que não faço”. Mentira. Quem nunca olhou para trás e pensou em como as coisas seriam diferentes se tivesse feito outras escolhas. E não há nada de ruim em se arrepender. É assim que a gente repensa, faz escolhas diferentes.

Por isso, nesse meu momento filósofa, concluí que a gente tem sim que lembrar dos momentos desagradáveis que passamos, mas temos que mostrar o bom resultado que fica depois que peneiramos o que não foi tão legal.

Assim como em uma boa matéria de telejornal, para termos um resultado bem legal temos que deixar de fora da edição final aquele amigo que nos decepcionou, aquele relacionamento que não acrescentou em nada, aquela pisada na bola que demos, aquilo que deixamos de falar... isso não vai deixar de existir, assim como as imagens deixadas de fora continuarão lá para mostrar como fazer, e como não fazer mais.

Acho que isso se aplica também ao dia 13 de maio, dia da Abolição da Escravatura, que foi celebrado na semana que passou. Na minha edição final, a assinatura da Lei Áurea, que aconteceu há 123 anos, só serve para reforçar as injustiças da escravidão.

Já comentei aqui no blog que nada há a ser comemorado. Os escravos foram atirados à liberdade, e hoje, todos já sabemos o que estava por trás do ato da princesa Isabel, que de heroína salvadora nunca teve nada.

Porém, temos que lembrar, sim, dessa passagem, para darmos o valor a quem verdadeiramente lutou, e luta até hoje, para que sejamos livres de fato, principalmente de preconceitos.

Na minha edição final, ao invés de me remoer pelos quilos a mais, eu escolho aquela caminhada divertida com uma amiga. Ao invés de reclamar por não poder passar aquelas férias em Nova York, eu escolho aqueles dias divertidíssimos com a família toda, naquela casa de praia pequena, mas recheada de risadas. E ao invés de me punir por não ter dito as palavras certas, eu escolho aquele momento em que nada precisou ser dito.

E quando o assunto é a história do negro, creio que seja um dever meu evidenciar uma única coisa: a verdade. Aquela que foi escondida quando pensamos na África, a que foi distorcida quando falamos já em Brasil e o presente, que vem sendo construído por nós. Por isso, porque não mencionar o blog  EM NEGRITTO que nessa semana bateu os 5000 acessos.

Fico muuuuito agradecida por isso. Não recebi uma única crítica negativa nesses quase dois anos e isso me deixa feliz não por vaidade, mas por saber que uma iniciativa tão despretensiosa tem sido bem recebida e compreendida. Esses acessos significam que fiz amigos, que aprendi, que ensinei, que despertei e fui despertada para inúmeras questões que só fizeram de mim uma pessoa melhor.

Não posso dizer que gostei da edição final do EM NEGRITTO porque trabalho ainda não terminou. Na verdade, está só no começo, e como tudo que começa bem, termina melhor ainda, posso prever que antes do fim muita coisa boa vem por aí.

 

Vamos em frente!

 

Muitos beijos para vocês!

 

Nanda



Escrito por Fernanda Rodrigues às 10h20
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AS CORES DA BELEZA

No dia 15 de abril de 2009, ou seja, há mais de dois anos, eu escrevi um texto que chamei de “Não me vejo... não consumo”. Nele eu falava sobre as dificuldades de cumprir, à risca, a promessa de não consumir o que não me representa.

Não dá pra fingir que as coisas não estão mudando, mas percebo um movimento que não sei se vejo com bons olhos. Ao mostrar famílias negras na televisão, em novelas, principalmente, a escolha tem sido pela miscigenação. Vocês podem se perguntar se sou contra a miscigenação... Claro que não! Eu sou fruto de uma família miscigenada, como boa parte da população brasileira. O problema é que na hora de retratar essa nossa “realidade”, podemos identificar as famílias brancas, as mestiças, mas cadê as predominantemente negras?

Há algum tempo eu conversava com um diretor de telenovelas e ele me dizia que a tendência era esse “branqueamento”. Ele me contou ainda que o que grande parte das emissoras quer são atores negros com pele mais clara. Nessa conversa ele até me deu um exemplo: “O negro que eles querem em telenovelas são atores e atrizes como Sheron Menezzes e Lucy Ramos, pois podemos colocá-las como irmãs da Juliana Paes sem problema nenhum.”

E não é que depois dessa conversa eu já vi Sheron interpretar a irmã de Miguel Rômulo, e hoje assisto em Cordel Encantado Lucy Ramos ser filha de Débora Duarte.  Coincidência?? Acho que não...

É disso que não gosto. Não se trata de mostrar que somos um país miscigenado e feliz. É sim um processo de branqueamento. Ou se retrata a verdade toda, ou não se retrata nada!

Não quero ser radical, mas fiquemos mais atentos à forma como as questões são mostradas nas telenovelas, no jornalismo, nos comerciais. Se um ladrão é branco, ele simplesmente é identificado como “um homem”, mas se é negro ele automaticamente vira “um homem negro”. Tudo bem que Lázaro Ramos interprete um arquiteto bem sucedido filho de um alcoólatra que batia na esposa, mas onde está o contraponto? A família negra em que haja amor, companheirismo... Não precisa ser uma família de comercial de margarina, até porque daquele jeito poucas são. O que reivindico é que se mostre o lado bom também! Até porque uma família negra em comercial de margarina ainda me parece um sonho distante...

Esse mesmo diretor me disse ainda: “Nas telenovelas, quando uma família negra tem pai, ela não tem mãe, se tem mãe, não tem pai. Se tem os dois, falta afeto.” Nunca mais esqueci dessas palavras e o que vejo desde então me prova que ele infelizmente está certo. Observem e vejam se estou errada...

Mas, para não parecer que sou totalmente negativa quanto a esse assunto, fiquei encantada com um exemplo positivo que encontrei essa semana. Foi uma propaganda do Carrefour, em um encarte sobre produtos de beleza do dia das mães. Ali, mães loiras, ruivas, mestiças e negras são retratadas com suas filhas. Isso sim é ser fiel, e justo, com a realidade. O Brasil é isso aí, coisas boas e ruins acontecem em todas as famílias, sucesso e falta de afeto não escolhem cor ou classe social, e beleza, hoje em dia, me parece algo muito mais amplo do que se pensava há alguns anos.

Da minha parte, posso dizer que adorei ver a mãe e sua filha da foto abaixo, com seus dreadlocks, cuidando da beleza que é delas, que é minha, que é de tantas outras pessoas.

Parabéns Carrefour, pela honestidade com que retratou a beleza brasileira nesse dia das mães.

 

Beijos, pessoas!

 

Nanda

 

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 15h57
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PANICAT SAGRADA

Gente, essa preta maravilhosa do vídeo do link abaixo é a Gi Peixoto, rainha de bateria da Academia de Samba Puro, leitora aqui do blog e parceira nessa caminhada pela igualdade racial. Estou divulgado o vídeo dela para Panicat, primeiro porque ela merece, segundo porque acho que ela, com sua pele negra e seus cabelos cacheados, é mais uma representante da beleza da mulher gaúcha, vocês não acham?

Essa coisa de achar que beleza gaúcha é apenas aquela loira de olhos azuis, com a cara da Xuxa, além de fora de moda, é subestimar nós gaúchas... aqui tem beleza de cabelo liso, de olho puxado, de pele clara, de pele escura! Assistam mais uma representante nossa clicando aí embaixo!

Dá-lhe guria!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Qby4CtWho9c



Escrito por Fernanda Rodrigues às 12h14
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APRENDENDO COM A DUQUESA DE CAMBRIDGE

A sexta-feira está chegando ao fim e aposto que quem assistiu TV por mais que 15 minutos hoje decorou todos os passos da cerimônia de casamento do príncipe William e Kate, que agora deve ser chamada de Katherine e tem umas quatro nomeações reais. Também li muita gente criticando as transmissões, a mobilização e a importância dada ao evento.

Ok, eu concordo que se todo mundo que se mobilizou estivesse mais preocupado com a fome nos países pobres, com os milhares de animais de rua que necessitam ser castrados e com o preço da gasolina, o mundo seria um lugar mais lindo de se viver. Porém, não sejamos hipócritas. A maioria das pessoas que fez belos discursos hoje em prol de um mundo melhor, não levanta a bunda do sofá nem para ver um casal feliz se unir para toda a vida e nem por causas mais nobres. A realidade é essa!

Eu prefiro analisar o lado bom das coisas. Se Kate realmente é essa guria determinada que dizem, eu a admiro. Se ela, de fato, se matriculou na faculdade para ficar mais próxima do príncipe William, e hoje, oito anos depois, ela se casou com ele, ela merece meu respeito. Ela, diferente de muitos, traçou um objetivo, foi atrás dele, e hoje foi coroada... literalmente! Quantos de nós é tão persistente? Tudo bem que o que ela fez foi por um sonho próprio, mas a verdade é que Kate realizou hoje o sonho de todas nós, as meninas. Todas, desde pequenas, queremos encontrar nosso príncipe, fazer com que ele se apaixone por nós, nos leve ao altar, escolha fazer de nós sua princesa... Isso sem falar na carruagem, no vestido divino e nessa coisa toda. Ouso afirmar que quem diz que não queria o mesmo está mentindo! Se desejamos isso por uma questão genética ou porque fomos criadas para viver essa busca cada vez mais cansativa eu não sei... mas, lá no fundinho, a menina em nós quer viver esse sonho. Kate chegou lá! E não foi por pura sorte não... foi por mérito dela. Não é de se admirar?

Sei que coisas muito mais importantes e graves estão acontecendo no mundo, mas parar para assistir ao casamento real britânico não faria mal algum se segunda-feira a gente levantasse e fosse trabalhar de bicicleta (mesmo isso não sendo tão cômodo) para boicotar o preço do combustível, não passasse por aquele cachorro faminto na esquina fingindo que ele não está ali ou ainda se ao invés de um belo discurso a gente fizesse algo concreto por aqueles que são menos afortunados, mas na hora de colocar a mão na massa é diferente, não é? Se boa porcentagem de nós tivesse a mesma determinação de Kate para essas questões reais (com perdão do trocadilho), aí sim, talvez, o mundo fosse de fato um lugar melhor para se viver.

 

Um beijo digno de sexta à noite!

 

Nanda



Escrito por Fernanda Rodrigues às 22h42
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