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UMA PRETA EM MOVIMENTO
Lembram daquelas aulas de Física do segundo grau? É assim que gente ‘mais velha’ chama ensino médio, né? Enfim, eu as odiava, porque eu tinha que decorar tudo para poder resolver qualquer equação. Uma das coisas que decorei e nunca mais esqueci foi a definição do que é inércia. Eu a decorei assim: “inércia é a capacidade que qualquer corpo tem de permanecer parado ou em movimento quando não sofre nenhuma força externa”. Nos últimos meses eu pude viver a inércia e vi que devemos usar ela a nosso favor na vida. Se a gente analisar bem, vai ver que quanto mais a gente fica sem fazer nada de produtivo, deitado, dormindo o da inteiro, mais é assim que queremos ficar.... parados! E quando gente está fazendo coisa errada, parece que uma coisa puxa a outra e a gente não quer parar nunca. Porque não usar isso pro lado bom também? É como voltar a trabalhar depois das férias. Na primeira semana parece que a gente não vai agüentar, mas depois tudo caminha tão facilmente que a gente começa até a gostar, não é? Então é só dar o primeiro passo!!!! Para amar, para estudar, para trabalhar, para arrumar o guarda-roupas, para voltar a falar com aquela pessoa com quem mantemos silêncio... Se movimente, que do resto, a inércia se encarrega... E quando estiver amando, dançando, vivendo, não deixe que nenhuma força externa te faça parar! Para o contrário a inércia também pode ser bem útil. Se, quando um corpo está parado a tendênca é ele permanecer assim, dê um ‘stop’ no que não tem mais a menor necessidade de seguir adiante. Aquele amor não correspondido, por exemplo. É só apertar um botão e pronto? Claro que não! Mas pare de falar na pessoa, pare de se referir a ela nas conversas do dia a dia, pare de ‘falsamente’ odiá-la, pare de colocá-la em um lugar em que, na realidade, ela nem quer estar. Pare! No começo é difícil, assim como a volta das férias, mas depois... lá tá a inércia de novo! O corpo se acostuma. Usemos a inércia para manter em movimento o que nos faz bem, o que nos leva a um lugar onde nos encontramos, e para deixar parado o que não nos levará a lugar algum... Vambora, povooooo! Um beijo, Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 09h57
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CONSCIÊNCIA DE QUE COR?
Ontem foi o dia da Consciência Negra. Parece óbvio?? Não sei... vi poucas alusões ao dia na imprensa e acho que a maioria das pessoas não entende o real propósito desse dia. Um dos erros que mais me incomoda, e não apenas em relação ao dia 20 de novembro, é essa associação que se faz entre negros e pobres. Talvez isso aconteça porque as pessoas que geralmente lutam pela igualdade racial venham das periferias, e isso não acontece só no Brasil. Porém, eu acho importante separarmos as coisas por um motivo muito simples, quando um negro sai da periferia, da zona de pobreza, alcança níveis sociais mais elevados, ele continua tendo a pele preta e a sofrer preconceito. O problema não é social, mas racial. O dia 20 de novembro, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, é apenas um dia em que a consciencia de ser negro é exaltada, mas é necessário fortalecer isso sempre. O negro precisa conhecer sua história. Saber que não chegou no Brasil nas mesmas condições dos outros colonizadores, e essa condição de desigualdade ainda é uma realidade. Não se trata de orgulho, mas de conhecimento. Não conhecemos a nossa parcela de participação na formação do que hoje é um país miscigenado. Como ter consciência dessa maneira? Um negro tem obrigação de saber sua história. Eu posso entender que um negro não goste de samba, não pratique capoeira e não coma feijoada. Mas ele precisa saber que essas manifestações culturais são de raízes africanas. Um descendente de alemão também não precisa sair para dançar música alemã, um descendente de italiano não precisa comer massa sempre que sai para jantar e um descendente de oriental não precisa praticar judô, mas vejo que essas etnias têm uma ligação muito mais forte com suas raízes do que muitos de nós. E isso tem um motivo. Essa consciência não foi plantada nos afrodescendentes. Principalmente, na infência. E consciência não é uma semente que nasce e cresce sozinha. Quando os africanos chegaram aqui, as sementes plantadas foram da desunião, da vergonha, da inferioridade. E durante anos essa semente foi regada. A plantação cresceu. Destruir tudo isso agora e fazer crescer uma nova Consciência do que é ser Negro não é tarefa fácil. O que Zumbi, e tantos outros que lutaram e lutam pela igualdade racial sempre quiseram foi que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades, por um motivo muito simples: é assim que tem que ser. E só se pode chegar à conclusão de que não existe superioridade ou inferioridade quando o assunto é etnia, quem sabe de onde veio, sabe porque está na situãção que está e sabe em que direção quer caminhar.
Beijos, Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 22h59
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