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Oi mundo!! Sou Fernanda Rodrigues, mas podem me chamar de Nanda... Mulher, preta, gaúcha, jornalista, feliz... não necessariamente nessa ordem. Cheia de ideias na cabeça e lembranças no coração, resolvi dividir tudo com vocês. Por isso, eis o EM NEGRITTO, meu blog! Aqui estarão em destaque minhas posições, minhas ideias, meus amores e meus (poucos) desafetos também. Além da história, da cultura e de personalidades que honram minha raça negra que amo e aqui estará sempre destacada em negrito!! Fiquem à vontade... e divirtam-se tanto quanto eu!!
FerNanDísSima e-mail: emnegritto@gmail.com vídeos: www.youtube.com/fernandissimars
Escrito por Fernanda Rodrigues às 21h50
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TEORIA DO EMBRANQUECIMENTO
Pois bem, lá se vai uma semana desde que as cotas raciais foram consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Desde a semana passada, eu tenho escutado um repertório vasto de quem não aceita a decisão do STF. Eles vão desde “a decisão vai acirrar o racismo e vamos acabar como os Estados Unidos onde ele é pior” a “isso vai fazer despencar a qualidade das universidades públicas”, passando por “as cotas têm que ser sociais e não raciais”. Com exceção desta última, as pessoas que utilizam as outras duas justificativas para se posicionarem contras as cotas sequer percebem o quanto elas são racistas. Elas as justificativas, que fique bem claro. Acirrar o racismo? Considerar que o racismo nos Estados Unidos é pior é dizer que o daqui é melhor, certo? Não há racismo bom, as pessoas apenas se posicionam de maneira diferente perante ele. Nos Estados Unidos ele apenas é mais declarado, de ambos os lados, diga-se de passagem. Deixá-lo guardadinho, fingir que ele não existe é tão mais cômodo, não é? Mas não faz dele menos violento. Para mim, olhar para o Congresso Nacional e ver a quantidade de negros que temos lá, mesmo sendo os afrodescendentes mais de 50% da população, doi tanto quanto um tapa na cara. As cotas devem ser sociais? E isso resolve o problema racial como? Se mesmo nas camadas mais pobres da sociedade a desigualdade entre negros e brancos é explícita. E dizer que as cotas raciais vão contribuir para a piora das universidades públicas faz com que por trás eu, inevitavelmente, leia uma mensagem que diz: eles não têm capacidade para estar aqui. Esse, aliás, é o pensamento de quem é contra cotas, na minha opinião. Se vivemos em um Brasil onde somos mais da metade da população, isso não se reflete nos cargos mais altos e importante por quê? Se as oportunidades são iguais para todos, se temos todos a mesma capacidade intelectual e vivemos em uma democracia racial, os negros não chegam porque não querem. Durante essa semana eu tentei não entrar em discussões, principalmente porque todas as justificativas eram embasadas em ‘achismos’, mas algumas realmente me tiraram do sério. Até que não existem negros e brancos no Brasil, que somos todos miscigenados, eu escutei. Ou seja, nem preta eu tenho direito de ser mais. Fraquejei. Discuti. Mas agora chega, até porque as cotas foram aprovadas e agora vamos apenas observar os resultados ao longo do tempo, sejamos nós contra ou a favor delas. Uma das coisas que quero ter saúde para assistir cair por terra é a “teoria do embranquecimento”. Meu pai fala sobre isso no seu livro Presença e Silêncio, mas para ilustrar o que ela significa, eu vou contar uma história que ele mesmo me contou. Há alguns meses a minha mãe estava com um problema no coração. Para sugerir um tratamento mais adequado o médico que a estava atendendo indicou que ela fosse a um cardiologista conhecido com um dos melhores de Brasília. Meus pais marcaram uma consulta e foram ao consultório. Chegaram e foram atendidos pos uma copeira uniformizada que lhes ofereceu um cafezinho. Na hora marcada a secretária pediu para que eles passassem para a sala do médico. Para surpresa dos meus pais, ele é negro. E eu aposto que quase nenhum de vocês que estava lendo ao meu relato imaginou que o médico, o melhor cardiologista de Brasília, é negro. É assim o racismo no Brasil. Não está no imaginário de brancos e nem de negros que pessoas em posição de destaque tenham a pele escura. Nem meu pai, que tem doutorado e é também uma exceção, imaginou que seria. E a copeira? A chance de ela ser negra é imensa, não é?! Bom, essa história não existiu exatamente assim, eu inventei parte dela. Um dos melhores cardiologista de Brasília realmente é branco, mas se fosse negro muitos ficariam impactados ao entrar em seu consultório. Logo após a abolição o Brasil tentou "embranquecer". A idéia era, inclusive, levar os escravos libertos de volta para a África. Depois, era só trazer os imigrantes, principalmente alemães e italianos. Com isso o país teria uma mão de obra barata e veria sua população crescer sem correr o risco da miscigenação. Essa mistura também usada para justificar a falta de necessidade das cotas nunca foi motivo de orgulho ou de desejo. Porém, é mais do que notório que a tentativa de transformar o Brasil em uma país branco falhou de fato, mas no campo ideológico tem funcionado muito bem. Esse é o nosso racismo, brasileiríssimo. Será mesmo que minar a nossa autoestima é menos violento do que agressão física? Eu tenho as minhas dúvidas quanto a isso, mas não duvido nem por um segundo que é para acabar com pensamentos como esse, que estão enraizados em todos nós brasileiros, que as cotas são necessárias. As cotas são necessárias para que doutores em Literatura como meu pai não sejam exceções e cardiologistas negros não sejam motivos de impacto. Para que possamos respirar aliviados e dizer que vivemos em uma democracia racial eles devem ser pelo menos a metade dos profissionais em todas essas posições, ou pelo menos ter igual oportunidade para isso. Agora acho que isso está começando a virar realidade. Foi apenas mais um passo, ainda temos muito que caminhar... Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 21h49
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V SEMANA DA CULTURA AFRO BRASILEIRA DE SAPIRANGA
Gentem, fui convidada para participar como palestrante da V SEMANA DA CULTURA AFRO BRASILEIRA da cidade de SAPIRANGA, que vai acontecer na primeira semana se maio. Confere aí o vídeo com a programação: http://www.youtube.com/watch?v=P7ByxP9aiDw \Õ/
Escrito por Fernanda Rodrigues às 18h35
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#COTASSIM
Há dois dias a discussão sobre cotas raciais nas universidades está mais calorosa. Basta olhar as redes sociais por alguns minutos para assistir um festival de opiniões. Que me desculpem os que são contra cotas, e até mesmo os que são a favor, mas eu acho que esse é um assunto que não se discute. Há alguns meses nós pudemos ver nos noticiários a ação feita pela polícia paulistana na chamada Cracolândia, se lembram? Os policiais se colocaram lá de forma mais efetiva, prenderam alguns usuários, mas de uma maneira geral o que aconteceu foi uma dissipação. Grande parte dos usuários que passavam dias e noites ali, acabaram indo para lugares mais próximos, o que criou um outro problema e fez com que o Ministério Público interviesse no caso. Problema resolvido? Na Cracolândia, teoricamente, sim. Imaginem que o que hoje é a Cracolândia, um dia foi senzala. As portas dessas senzalas, depois de mais de trezentos anos, um belo dia, foram abertas. Problema resolvido? Na senzala, teoricamente, sim. E a galera que tava ali? Vai para onde? Fazer o que? Assim como o vício do crack é uma doença na nossa sociedade, a escravidão também foi um dia. E quando ela acabou, foi feito com os negros o mesmo que com os usuários de drogas em São Paulo. Foram todos abandonados à liberdade. Alguém em sã consciência acha que eu, que nasci em uma família da classe média, estudei inglês, fiz faculdade particular tenho as mesmas chances profissionais para conseguir um emprego hoje do que quem estava lá na Cracolândia até o mês retrasado? Claro que não. O meu passado foi totalmente diferente do passado desta pessoa, e isso é determinante nas nossas chances de futuro. O mesmo acontece quando me comparo novamente a uma guria da minha idade, branca, da classe média, que estudou inglês e fez faculdade particular. Nosso passado é completamente diferente. Nossos antepassados não chegaram no Brasil em igual condição e isso impacta no presente. Há 125 anos, enquanto os antepassados dela estavam cuidando da sua propriedade, os meus não sabiam nem ler porque não tinham direito a isso. Todo esse tempo passou e a minha geração ainda não conseguiu reverter essa realidade. Eu não gosto das cotas. Eu queria poder não precisar delas. Queria viver nessa democracia racial que muitos que se posicionam contra elas defendem. Queria realmente poder acreditar que somos todos iguais. Intelectualmente somos, mas só. Cota não é esmola, é reparação. Elas não significam que nós negros só podemos chegar a algum lugar com respaldo do Estado, elas significam que esse Estado tem consciência de que a doença da escravidão não foi curada e é necessário fazer alguma coisa hoje para isso não piorar. Elas são um remo para nossas canoas, em um rio onde os que não são descendentes de escravos estão de lancha. Se posicionar contra cotas alegando que temos todos as mesmas oportunidades é dizer que não temos mais médicos, parlamentares, professores universitários ou atores negros por única, e exclusivamente, incompetência nossa. Aceito a opinião de qualquer um, mas não posso aceitar esse argumento. Temos um problema racial no Brasil sim, e vivemos em um mundo onde a cor da pele é critério determinante em estatísticas, seja quando olhamos o número de jovens mortos nas periferias, seja quando olhamos para o número de jovens que se formam nas faculdades. Engana-se quem pensa que um dado não tem nada a ver com o outro. Ambos são como são por consequência dos anos de escravidão, seguidos pelos anos de segregação. E mesmo não gostando delas, não vejo uma maneira mais efetiva e imediata do que as cotas para começar a mudar essa realidade. Alguma sugestão?? Um beijo, Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 18h13
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O EM NEGRITTO diz SIM!!! 
Escrito por Fernanda Rodrigues às 12h08
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DEISE NUNES - A ETERNA MISS BRASIL
Há 26 anos, lá em 1986, o Brasil elegia sua primeira Miss Brasil negra. Era a gaúcha de Porto Alegre Deise Nunes, que aos 18 anos, depois de ter feito história se tornando Miss Rio Grande do Sul, chegava ainda mais longe. Depois de Miss Brasil, naquele ano ficou ainda em 6º lugar no concurso de Miss Universo. Me pergunto porque eu, que tinha seis anos na época, não fiquei radiante em ver que a mulher mais linda do meu país tinha a pele e os cabelos parecidos com os meus. Por que, ao invés de querer ser loira para ser paquita, eu não me senti a guria mais linda junto com Deise? Ainda bem que os anos passaram e muito mudou. Deise também mudou, não tem mais 18 anos, comemorou mais um aniversário no último dia 30 e está ainda mais bonita Confesso que fico um pouco apreensiva em ter que apresentá-la como nossa única Miss Brasil negra. Queria apresentá-la como a primeira de tantas outras. A realidade ainda não é essa, mas certamente caminha para isso. Tanto que hoje, em 2012, Deise, eu e tantas outras comemoramos a escolha da Angolana Leila Lopes como Miss Universo. Deise Nunes faz parte dessa realidade e é uma personalidade muito importante, pois contribui para fortalecer ainda mais a autoestima do negro brasileiro, um dos pilares mais significativos para sustentar nosso trabalho. Acho que o ditado que diz que quem foi rainha, nunca perde a majestade se adequa as Misses também, né? Então confiram o bate papo com nossa eterna Miss Brasil.
EM NEGRITTO: Antes da tua entrevista, postei novamente no blog quatro entrevistas já feitas: com o senador Paulo Paim, com a escritora Veralinda Menezes, com a diretora da CUFA Ivanete Pereira e com o presidente da Associação Satélite Prontidão Nilo Feijó. Para mim, cada um tem uma participação muito importante na luta pela igualdade racial na política, com as crianças, com a periferia e com a nossa história. Escolhi comemorar os três anos do EM NEGRITTO contigo por achar que tu, divulgando nossa beleza, entre outras coisas que fazes, tem um papel muito importante fortalecendo nossa autoestima. Tu tens consciência desse teu papel? DEISE NUNES: Acredito que nós que tivemos a sorte ou a oportunidade de ter uma visibilidade maior na sociedade precisamos nos conscientizar da necessidade de contribuir abrindo espaços para nossos irmãos que ainda sofrem com a dificuldade de acesso natural aos meios de promoção e integração social. EN: Ainda és a única Miss Brasil negra que o Brasil já teve. Até que ponto ser "a única negra" ou o "único negro" em determinada posição é bom? E quando isso é ruim? DN: Nunca é bom quando você nota que apenas poucas pessoas da nossa raça progridem em determinadas posições de destaque social, quando isso deveria ser normal, hoje acontece o contrário o que de certa forma nos causa um constrangimento social. EN: Estivemos juntas na gravação do documentário A Cor da Cultura da TV Futura. Tu achas que hoje, a parcela negra na cultura brasileira é mais reconhecida? DN: Graças à Deus, nesta área, estamos crescendo muito. Cada vez mais negros conseguem mostrar seu talento, sua criatividade, isso ocorre também em função da massificação das mídias, principalmente as mídias eletrônicas como a TV e a Internet, que não dependem muito da boa vontade das outras pessoas que, muitas vezes tem preconceito contra negros. EN: Na tua opinião, o que mudou na imagem do negro na mídia de 1986, quando você ganhou o título de Miss Brasil, para cá? DN: Mudou muito. Naquela época existia muita exclusão de negros em todos os segmentos, na moda então se via poucos negros. Eu mesma sofri um pouco para criar o meu espaço, apesar de ser a primeira Miss Brasil negra, principalmente nos meios de comunicação. Praticamente em todas as atividades econômicas existia este preconceito, culturais e sociais também. Hoje já mudou este quadro no Brasil e também avançou em outros países racistas como nos EUA, mas ainda precisamos avançar muito para termos igualdade de fato. EN: Como foi pra ti ver a escolha da angolana Leila Lopes como Miss Universo? Tu estavas assistindo? O que fez logo que soube o resultado? DN: Assisti o concurso e desde o início e notei que a Leila Lopes se destacava pela beleza e personalidade. Ela tinha muita segurança do que queria, transmitia uma aura muito legal. Acho que cativou todos desde o começo do concurso. Fiquei muito feliz com a escolha dela, isso certamente serviu para estimular outras negras a se encorajar e buscar seus espaços. Logo após o resultado tive a sensação que vale á pena tentar buscar seus sonhos, mesmo que isso parece quase impossível. (continua) 
Deise Nunes na capa da revista Manchete de 1986
Escrito por Fernanda Rodrigues às 21h23
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EN: Hoje trabalhas com moda. Acredita que haja realmente um preconceito nas agências e nos grandes desfiles contra modelos negros? Quantos alunos negros já tiveste? DN: Acho que ainda tem um pouco de preconceito disfarçado no meio da moda, mas isso esta mudando rapidamente, principalmente em razão do crescimento econômico dos negros que, cada vez mais, se inserem como consumidores. E as agências precisam buscar identidade com este mercado potencial, o que inverte um pouco as coisas. Neste caso a mídia precisa de negros para se aproximar dos clientes negros. Há vinte anos atrás isso era inimaginável. EN: Porque ainda somos a minoria nos concursos para Miss Brasil, mesmo sendo quase a maior parcela da população brasileira? DN: Isto está vinculado à educação e baixa autoestima dos negros que passaram décadas excluídos de todos os meios de inclusão social, principalmente a educação que é libertadora. Porém, já vislumbramos uma luz que nos indica que estamos caminhando para diminuir esta diferença. Hoje em dia temos visto uma melhora significativa nesta participação nos concursos, mas ainda é muito pouco, temos que trabalhar muito para elevar a auto-estima dos irmãos negros. EN: Sabemos que há muito preconceito racial, e alguns dizem que no RS isso é ainda mais intenso. Já sofreu alguma situação de preconceito por teres uma família miscigenada? E quando criança por vires de uma família também miscigenada? DN: Quando criança, e na adolescência sofri preconceito. Depois fui eleita Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil, praticamente não existiu preconceito , pelo menos não que eu tenha tomado conhecimento. Mais tarde constitui família e também não notei esta situação. Meus filhos, apesar de serem miscigenados, tem uma vida normal e não receberam nenhuma manifestação preconceituosa até o momento. Quanto ao fato de dizerem que o RS é um estado mais preconceituoso que os outros, tenho dúvidas porque ocorrem manifestações racistas, em maior escala, em outros estados. EN: Sendo o negro menos de 10% da população gaúcha, como você vê o fato da única Miss Brasil negra ser daqui, de termos tido o primeiro prefeito negro da capital e governador negro ainda nos anos 80, e termos um dos poucos parlamentares negro no Congresso? O que temos de "diferente" do resto do país e de Estados onde há em mais negros do que aqui? DN: O nosso estado é considerado com um grau educacional relativamente acima dos demais, o que pode ter contribuído para um destaque de algumas personalidades negras. É evidente, também, que isso depende muito da disposição e empenho dessas pessoas. No meu caso a educação influenciou muito, mas a obstinação da minha mãe foi maior ainda, para que eu pudesse me tornar Miss RS e Miss Brasil. Não podemos esquecer de que somos um povo aguerrido e que sempre lutamos por nossos objetivos. EN: Quais são os caminhos que tu achas que devemos trilhar, nós de todas as etnias, para alcançarmos a tão sonhada democracia racial? DN: Em primeiro lugar, devemos lutar pela inserção de nossos irmãos negros na educação de todos os níveis. Além disso, devemos estimular a participação em todos os segmentos da sociedade civil organizada, com respeito e aceitação das diversidades. 
Eu e Deise na gravação do documentário A Cor Da Cultura, da TV Futura
Escrito por Fernanda Rodrigues às 21h02
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PARABÉNS PARA NÓS!! \O/\o/\Õ/
Essa semana uma amiga paraense me fez uma pergunta. Ela disse que havia conhecido o sul e algumas pessoas aqui lhe pareceram bastante racistas, então ela queria saber se eu já havia sofrido alguma discriminação. Eu repito para vocês o que disse para ela: nunca percebi nenhum segurança me seguindo em uma loja, nunca deixei de ser aceita pela família de um namorado por ser negra ou fui xingada na rua, mas lhe afirmei que dá para perceber quando a cor da pele é determinante, por exemplo, para conseguir um emprego ou não. Eu estava respondendo minha amiga quando vi na TV a chamada do Esporte Espetacular de ontem. Na chamada, um torcedor se aproveitou do anonimato e gritou para um jogador de vôlei, negro, que estava pronto para sacar: “Vai, macaco! Volta para o zoológico!” Na hora me ofendi! Me dei conta que o fato de ninguém nunca ter me chamado de ‘macaca’, não significa que isso de fato isso nunca tenha me acontecido. Confuso? Eu explico! Sempre que um negro for chamado de macaco, eu estarei sofrendo racismo. Sempre que um negro deixar de conseguir um emprego simplesmente por ter a pele escura, eu estarei sofrendo racismo. Sempre que a presença dos negros for ignorada ou for mostrada de maneira tendenciosa na mídia, eu estarei sofrendo racismo. Por isso me sinto agredida, por exemplo, quando vejo que um menino branco atropela e mata com seu carro importado um menino negro e pobre. Claro que ninguém atropela outro alguém de propósito, ou pelo menos pouca gente faz isso, mas eu tenho certeza absoluta que se fosse o contrário, o tratamento seria completamente diferente. Se um menino negro e pobre atropelasse um menino branco e rico que estivesse passeando com sua bicicleta importada, o desfecho seria outro. E tenho certeza que muita gente concorda comigo. É isso que me ofende, que faz com que eu me sinta discriminada. Porque nessa história estou na bicicleta. E a maioria do povo brasileiro também. Quero deixar bem claro que não estou afirmando que Wanderson Pereira dos Santos foi atropelado por ser negro; eu jamais faria isso. Também não tenho provas de que Trayvon Martin, o garoto de 17 anos que foi morto por um segurança nos Estados Unidos nos último mês, por estar em “atitude suspeita”, tenha levado um tiro por ser negro, mas ao ler essa semana que Wanderson estaria guiando sua bicicleta bêbado, e isso talvez tenha causado o acidente, ou ver que o segurança que atirou em Trayvon não será sequer julgado porque alegou legítima defesa, mesmo o garoto não estando armado, me dá uma sensação ruim de que se as posições estivessem trocadas, tudo seria diferente. Não podemos negar que o tratamento dado aos negros não só no Brasil, ainda é diferenciado, e na maioria das vezes não é para o lado positivo. O peso do que foi feito com os negros nas centenas de anos de escravidão, e outros tantos de diferenças que acontecem até hoje, ainda é muito grande. Isso faz com que eu seja alvo de racismo todos os dias, mesmo que as palavras duras e as injustiças não sejam dirigidas a mim. Foi para mostrar a minha ótica da questão racial que eu criei, há exatos três anos, o EM NEGRITTO. Acho que tenho conseguido atingir meu objetivo. Cada vez que um negro vem até mim dizer que se identifica com minhas palavras, ou que um não-negro me diz: “Poxa, nunca tinha pensado nisso!”, eu fico feliz e me sinto no caminho certo, mas ver fatos como esses me dão um certo cansaço, ainda bem que não o suficiente para me fazer desistir. Até temos o que comemorar, mas não é hora ainda. Vamos em frente! Foram só os três primeiros anos.... 
Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h20
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ENTREVISTAS: VERALINDA MENEZES E NILO FEIJÓ
As quatro entrevistas que escolhi para comemorar o terceiro aniversário do EM NEGRITTO não foram escolhidas por acaso. São pessoas com quem aprendi, que representam a raça negra e que trabalham muito para mudar a história do negro neste país. Paulo Paim na política e Ivanete Pereira nas comunidades, por exemplo. As duas últimas entrevistas que quero postar hoje para comemorar nosso aniversário estão de volta porque unem o passado, o presente e o futuro dos que trabalham pela democracia racial. No primeiro aniversário do blog eu conversei com Nilo Feijó, presidente da Associação Satélite-Prontidão. Uma associação que faz parte da minha história, da história da minha família, e que hoje eu tenho orgulho de também fazer parte de sua história. O Satélite me emociona, me dá orgulho e muito fez pelo negro gaúcho. Um trabalho que começou logo após a abolição e, tenho certeza, ainda tem muito por fazer. Assim como Veralinda Menezes. Os olhos da escritora estão voltados para o futuro, para as crianças de hoje que se tornarão os adultos, quem sabe livres de preconceito, de amanhã. Pelo menos esse é seu objetivo ao escrever livros com personagens negros em posições que nem sempre estamos acostumados a ver, o fazem de Veralinda uma pioneira na nossa Literatura. Um trabalho lindo que me fez ver que pelo menos as frustações que eu tinha quando pequena já são coisas do passado e que o fim da discriminação racial é possível. Na foto abaixo o passado e o futuro estão literalmente de braços dados no presente. Relembrar essas entrevistas é uma maneira de agradecer Paulo Paim, Lady Nete, seu Nilo, Vera e tantos outros que colocam minha raça em destaque de maneira positiva! Para ler a entrevista com Veralinda Menezes é só clicar aqui: http://emnegritto.zip.net/arch2009-06-28_2009-07-04.html E para ler a de Nilo Feijó, aqui: http://emnegritto.zip.net/arch2010-03-28_2010-04-03.html 
Nilo Feijó, Veralinda Menezes, Carmen Fontoura (vice-presidente da ASP) e Haroldo Menezes
Escrito por Fernanda Rodrigues às 13h05
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ENTREVISTA: IVANETE PEREIRA
Continuando o remember das entrevistas especiais que fiz nesses quase três anos de blog, saimos da política e vamos para a periferia. Quem não leu, não pode deixar de ler e conhecer Ivanete Pereira. Líder, mãe, atriz, professora... uma das mulheres mais incríveis que conheci! Estar do lado de Lady Nete é aprender com as coisas simples da vida e saber enxergar aquelas maiores que, às vezes, são tão grandes que também nos passam ilesas. Quem conhece sua história entende perfeitamente de onde vem sua força. Com uma fala precisa, ainda com sotaque baiano, e com um olhar carregado de doçura e firmeza na mesma intensidade, Ivanete Pereira é uma lição de vida viva. Estar do lado dela e não apre(e)nder o que ela tem pra passar é burrice... e eu que não ia dar esse mole, né?! Aprendam também, clicando no link aí embaixo, que por mais que a gente encontre pedras no caminho ao longo da vida, a gente não deve perder a coragem de fazer dela algo bom para nós e para quem caminha com a gente. Isso pode mudar o futuro de toda uma comunidade... http://emnegritto.zip.net/arch2009-09-13_2009-09-19.html
Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h52
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ENTREVISTA: PAULO PAIM
Para comemorar o 3º aniversário do EM NEGRITTO, no próximo dia 26 de março, eu quero relembrar quatro entrevistas muito importantes para mim. A primeira delas, que trago de volta hoje, foi esta feita com o senador Paulo Paim. Sou fã e agradeço minha Imperadores do Samba, que fez a ele uma justíssima homenagem no último carnaval, por ter me dado mais uma oportunidade de aplaudí-lo. Me emocionei ao vê-lo se ajoelhar para aplaudir de volta todas aquelas pessoas que não escondiam o orgulho de ter um parlamentar como ele aqui do Estado, mas o que faz com que eu pessoalmente tenha orgulho de ser uma eleitora de Paulo Paim está nesta entrevista. E eu vou deixar que vocês descubram, lendo as palavras dele, porque esta entrevista está novamente aqui no blog. É só dar um clic aí embaixo... ;)
http://emnegritto.zip.net/arch2009-05-24_2009-05-30.html
Escrito por Fernanda Rodrigues às 20h04
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Escrito por Fernanda Rodrigues às 12h46
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TIRE SEU RACISMO DO CAMINHO PORQUE EU TÔ PASSANDO COM A MINHA COR
“Tire seu racismo do caminho, que eu quero passar com a minha cor.” A frase é do livro Desaforismos, de Georges Najjar Jr e é uma das minhas preferidas de todas no mundo. Hoje ela me fez pensar até que ponto o racismo impede que nós, negros, avancemos. De certa forma, em muitas das histórias que ouço, de negros vitoriosos, foi uma situação de preconceito que fez com que aquele negro chegasse aonde chegou. Hoje tive mais um exemplo disso ao assistir a uma entrevista de Luislinda Valois. Depois de oito anos aguardando para ser promovida, a então juíza se tornou a primeira desembargadora negra do Brasil, no ano passado. Não preciso dizer que essa foi somente uma das muitas batalhas que ela enfrentrou na vida, não é? Nesta entrevista, Luislinda contou que o primeiro passo dado para chegar ao cargo que ocupa hoje foi aos 8 anos. Na época, ela era apenas uma aluna do ensino fundamental quando ouviu de um professor que ela deveria sair da escola e ir cozinhar na casa de uma branca, pois assim teria mais futuro. Isso porque ela deixou de levar para a sala de aula um material pedido por esse professor, impedida pela condição econômica de seu pai. Dá pra acreditar em tamanha crueldade com uma criança? A verdade é que esse fato mudou a vida da desembargadora. Aquela frase nunca saiu de sua cabeça e fez com que ela enfrentasse, cada vez mais forte, todas as batalhas que vieram depois desse dia. E ganhou a guerra. Enquanto eu ouvia suas palavras, Luislinda contava sobre seu trabalho e de repente disse uma frase, quase que lendo a minha mente naquele momento: “Ser preto no Brasil não é brincadeira!” E não é mesmo. Não existe um negro sequer neste país que em algum momento da vida não tenha sido personagem de uma situação de preconceito. Seja ele explícito, descarado, mascarado, maquiado... enfim, mas acho sinceramente que, a grande maioria, tem transformado essas situações em degraus, tem transformado a decepção em força e tem escrito uma história, que teria tudo para ser trágica, mas é um sucesso. Ser negro no Brasil não é fácil mesmo. E não é porque o ser humano é naturalmente ruim, porque o mundo é injusto ou porque nós nos colocamos em situação de inferioridade, como concluem algumas teorias. É porque no nosso cotidiano carregamos na pele, literalmente, uma história. Não se apaga tudo que foi vivido até hoje num passe de mágica. E eu nem quero que se apague. A escravidão e o preconceito fazem parte da nossa história. Porém, a parte negativa disso não precisa estar em nosso presente, e menos ainda no nosso futuro. Me deu um orgulho tão grande ver Luislinda Valois falando da sua vida. Me emocionei ao ver que ela tem um olhar tão doce, mesmo tendo uma história tão pesada. E me toquei que ela só é tão forte, tão doce, tão vencedora porque nasceu preta. Guardadas as devidas proporções, me identifiquei com a desembargadora. Eu tenho plena consciência que não teria me tornado a mulher que sou hoje se não tivesse também nascido preta. Parece óbvio, mas cada experiência ruim da infância e cada momento embaraçoso da adolescência fortaleceram meu orgulho, me fizeram querer conhecer a minha história e tudo isso se tornou uma bagagem importantíssima na caminhada que trilho agora. É... ser preto no Brasil não é brincadeira, não. É coisa muito séria, mas também faz com que cada conquista tenha um gosto ainda mais intenso. E dá um orgulho que só quem tem a pele preta sente. Que só a gente sabe. Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 02h40
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TODO MUNDO TEM UM LADO DEVASSA

Hoje saí para conversar com minha amiga Veralinda Menezes, que um dia foi apenas uma entrevistada do EM NEGRITTO e hoje é uma parceira de vida. Conversa vai, conversa vem, falamos das ações que estão sendo movidas pelo país contra uma campanha da cerveja Devassa. Para quem está por fora, alguns grupos e cidades entraram com uma ação contra a campanha da cerveja escura da marca. A Devassa faz uma comparação com mulheres para cada um dos seus produtos. A cerveja tradicional é a Devassa Bem Loira, a avermelhada é a Devassa Ruiva e a escura é a Devassa Negra. Tem ainda a Índia e a Sarará. Pois bem, há pouco tempo a campanha que divulga a cerveja escura foi acusada de ser sexista e racista, pois ela compara a cerveja, que é mais encorpada a uma mulher negra que está fazendo pose ao lado da garrafa. A campanha traz ainda a frase: “é pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra”. Há mais de um ano eu participei de um projeto que reunia mulheres para saber como seria a aceitação da Devassa aqui no Estado, já que naquela época, ela não era tão popular por aqui. Na ocasião foi cogitada a idéia de que a cerveja poderia ser encarada como uma cerveja masculina por uns, ou feminina para outros, justamente pelo subtítulo de “bem loira”. Eu, não concordei com nenhum dos lados porque estava associando o adjetivo à cerveja, e não uma mulher. Para mim pareceu bem claro que era uma brincadeira, e bem inteligente até. Lá no fundo fiquei esperando o lançamento da cerveja escura, que obviamente seria comparada a uma negra. Quando vi a campanha da foto acima pela primeira vez, adorei! Hoje, conversando com a Vera, vi que ela concorda comigo, o que me fez ver que não estava tão “fora da casinha” assim ao afirmar que gostei mesmo da campanha. Não que sejamos detentoras da verdade absoluta, mas não estava sozinha nessa! Quando o assunto é racismo, ás vezes, acho que os movimentos organizados pesam um pouco a mão, sabe? Estamos perdendo um pouco a noção do que é brincadeira, do que pode ser dito sem ofensa, e do que parece inofensivo, mas não é. Uma coisa é o Danilo Gentilli achar normal chamar um negro de macaco, justificando que isso pode ser perfeitamente aceitável já chamamos uma pessoa gorda de baleia. Nenhuma das duas comparações deveria ser feita, na minha opinião. Acho isso porque pessoas deixam de conseguir vagas de emprego por serem negras ou gordas. Pessoas são xingadas e agredidas nas ruas por serem negras ou gordas. Então, não há nada de engraçado nisso. Esse, e qualquer outro assunto que envolva preconceito deve ser tratado com a seriedade devida. Só que, nem tanto ao mar, nem tanto a terra, né? Vale lembrar que a mesma pessoa que está escrevendo esse texto agora se posicionou contra os banhos da lindíssima Cris Vianna na novela Fina Estampa. E continuo achando que eles são gratuitos e que ela tem muito mais a mostrar. Aí é que está o ponto de divisa entre a brincadeira e a ofensa. Para mim, a campanha da Devassa é genial. Toda ela. E se a bem loira não é ofensiva, porque a negra é? Já que estão todas as etnias ali representadas, eu também gostei de estar. Gostei de ver minha raça ser comparada a um produto de qualidade, gostoso... e só será de maneira gratuita se a gente quiser. Por que não aproveitar a Devassa Negra para patrocinar eventos voltados a raça negra, por exemplo? Lógico que não é apenas pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra. É pela força, pela beleza, pela inteligência, por uma infinidade de coisas. E não vai ser uma campanha publicitária que vai desfazer essa imagem se as nossas atitudes mostrarem o contrário. Aliás, se soubermos aproveitar, essa campanha só tem a agregar. Afinal, a gente malha, se arruma, se produz pra que? Para além de inteligentes, independentes, bem sucedidas, sermos reconhecidas como gostosas... que também somos! Beijos devassos! Nanda
Escrito por Fernanda Rodrigues às 23h58
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O DIA EM QUE A ASSOCIAÇÃO DEIXOU O PÚBLICO NA MÃO...
Todos conhecem o ditado que diz que amigo a gente conhece nas horas difíceis. Que é quando o bicho pega que a gente vê quem vai te apoiar. Pois se levarmos esse ditado para o nosso carnaval, ontem ficou claro que a Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre, a AECPARS, não está sendo amiga dos gaúchos que amam o carnaval. Ano passado, depois do sábado das campeãs, eu escrevi um texto elogiando as mudanças feitas nos camarotes de 2010 para 2011. Hoje, me vejo obrigada a dizer totalmente o contrário. Há muitos anos, o povo do carnaval pede por uma estrutura definitiva no Porto Seco. Nunca fez muito sentido o monta-desmonta que é feito todos os anos, mas a brincadeira com a nossa cara já está ficando sem graça. Na tarde de sábado começou a chover muito na capital. O que não foi suficiente para deixar em casa quem ama esta festa e vê no desfile das campeãs uma última oportunidade de sentir o gostinho de desfilar mais uma vez, ou de assistir e cantar o samba da sua escola mais um pouquinho. Se a chuva não afastou quem encarou as arquibancadas e as frisas, imagina quem pagou cerca de 6 mil reais por um camarote, pensando em ter um conforto maior. Eu e minha família, por exemplo. Pois imaginem nossa surpresa quando chegamos ao nosso camarote e ele estava alagado, com goteiras para todos os lados. Aliás, pelos corredores chovia tanto dentro quanto fora. Isso aconteceu com três ou quatro camarotes. Logo nos mobilizamos e o pessoal foi colocado em outros camarotes. Problema resolvido? Não! Nos colocaram no camarote da RBS, que era para estar vazio. E a noite poderia ter sido tranqüila se não fosse a petulância de um diretor da emissora que, ao chegar com seu filho e nos ver no camarote, tirou do bolso um crachá da TV e ao ver que para mim aquilo e qualquer outro pedaço de papel não quer dizer nada, perguntou meu nome e saiu esbravejando pelo corredor. Mais um que não voltou mais e vai espalhar por aí a péssima experiência que teve com o carnaval de Porto Alegre. E com razão, não é?! Não é problema meu se o “dono” do camarote chegou, e não é problema dele (o que não justifica a petulância) se ele chega ao camarote “dele” e tem um monte de gente lá dentro. Isso é problema da Associação. Oferecer um camarote que não tem estrutura para agüentar uma chuva (sem falar no perigo das escadas, nas condições dos banheiros) é problema da Associação. Não lutar pelos direitos do público que gosta de carnaval e permitir até hoje que Porto Alegre tenha uma estrutura provisória mesmo com quase dez anos de sambódromo é problema da Associação. Há quem diga por aqui: “Por isso que eu gasto um pouco mais e vou para o Rio. Carnaval aqui não dá.” Não concordo com isso. Quero ir para o Rio se eu quiser, mas também quero ter a opção de assistir ao meu carnaval. De ver minha Imperadores passar. De curtir o carnaval da minha cidade. Ao ser consagrado bicampeão, o presidente Preto, do Estado Maior da Restinga, disse algo como: “O carnaval de Porto Alegre está fazendo a sua parte. As escolas estão se profissionalizando, o público participa e prestigia. Quando é que a Associação vai fazer a sua parte e dar para nosso carnaval uma estrutura fixa” Eu assino embaixo. Realmente espero que em 2013 a AECPARS seja amiga do público carnavalesco de verdade. Porque até agora, só estamos na desvantagem nessa parceria...
Escrito por Fernanda Rodrigues às 15h40
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